domingo, 12 de dezembro de 2010

TÉCNICA - O universo da maquiagem de efeitos especiais


A profissão de maquiador no Brasil tem suas dificuldades como a de todo artista brasileiro, mas também é encantadora e gratificante. É um trabalho desafiador, cada projeto tem suas particularidades e nunca se repete. No nosso país ainda precisamos consolidar o conceito de maquiagem, pelo qual tanto luto.

O maquiador tem que ter domínio dos materiais, técnica e postura, para que possa conquistar mais espaço no cenário do cinema brasileiro que cresce a cada dia. Hoje existe um mercado aberto para novas possibilidades. E precisamos mostrar o que é possível.

A maquiagem de efeitos especiais exige muito conhecimento, sendo necessário entender de escultura, pintura, harmonia de cores, visagismo, e principalmente, ter muita sensibilidade. É importante também que tenhamos mais publicações a respeito do tema e que se compartilhe mais conhecimento não só do trabalho já concluído, mas do processo de execução para chegar ao momento da aplicação, que dependendo da sua complexidade, pede cuidados especiais para que funcione.

O tempo e o custo são importantíssimos para a realização e funcionabilidade. O tempo pode ser dividido em três partes: a elaboração, a preparação, e por fim, a aplicação; que pode ser diferente se for um envelhecimento ou uma transformação com próteses. Cada trabalho exige um caminho, é único e requer cuidado diferenciado.

O custo varia de acordo com o conhecimento de materiais e suas aplicações para atender a cada trabalho. O mercado nacional oferece a cada dia novos materiais, trazidos de outros países ou já produzidos aqui mesmo, o que facilita e ajuda a diminuir este custo e dar acesso a quem está começando na carreira.

O maquiador também muitas vezes precisa “captar” a necessidade do diretor, e traduzir para o público. A maquiagem de efeito é um trabalho artístico e surge de misturas de materiais, de um molde de um rosto, de colas que podem ser usadas, que os materiais precisam ir ao forno, e ficarem de 3 a 6 horas à mais ou menos oitenta graus. Existem possibilidades de pintura intrínseca ou extrínseca; que pode ser látex, gelatina, foam látex, silicone ou ecoflex, e por aí vai,....

Lá fora o efeito especial é uma indústria e oferece um novo produto a cada mês. Existe toda uma atenção dos profissionais de set, recebendo a devida importância como qualquer área da produção.

O mais interessante é que a maquiagem é fundamental para criar uma ilusão para retratar uma realidade, ou uma ficção. Costumo dizer que sabemos que o trabalho está bom quando conseguimos convencer as pessoas do set. São essas pessoas que estão vendo o trabalho de perto, que vão dizer se está verdadeiro ou não.
Com as novas tecnologias é preciso ser detalhista e sutil. E o maquiador precisa entender muito do produto que está sendo usado. Inclusive como é sua reação com as diferenças de clima, pois muitas vezes um produto funciona muito bem no frio da Europa, mas precisa ser “adaptado” para o calor do Rio de Janeiro.

É por isso que a maquiagem de efeitos especiais precisa de um tratamento cuidadoso, não temos a opção de refazer o trabalho, ele acontece na hora, e necessita de tempo diferenciado, de ação e preparação da cena. Nesse momento o maquiador deve fazer a “direção de efeitos especiais”, ou seja, defender seu trabalho com fundamento, para colaborar com toda equipe visando uma excelente finalização do trabalho.

No exterior muitas vezes o maquiador pede oito horas para a preparação de uma cena, aqui no Brasil, o prazo máximo que conseguimos é de três horas. Isso é um grande desafio que é compensado quando vemos a transformação da personagem, a reação das pessoas e como o ator se envolve com a maquiagem “incorporando” uma nova personalidade.

Trabalhar com efeitos especiais é mágico e envolvente, é viver num mundo realmente “especial”.

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